A Longa Caminhada

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Dionísio inventou o padrão atual de contar o tempo.

Os judeus consideram que o ano atual, ao invés de 1.999, é simplesmente o ano de 5.760.

O nosso padrão de contar o tempo foi inventado por um monge chamado Dionísio (cognome O Pequeno), por volta do início do século VI. Ele definiu que a Era Cristã começava com a circuncisão de Jesus - uma semana após o Natal.

Amparando sua conjectura numa sólida Matemática, Dionísio datou o evento inicial de 1º de janeiro como Anno Domini Um, o primeiro ano do Senhor(*). Entretanto os modernos historiadores acreditam que na verdade a circunsição ocorreu, de fato, alguns anos antes da data estabelecida por Dionísio.

Evidentemente que isso na verdade só importa para a civilização ocidental, já que para outros povos - orientais - toda essa discussão é mera figura de retórica. Para os judeus estamos, não em 1.999, mas sim no ano de 5.760. Para os japonêses o ano atual é o Heisei 11 (os costumes japonêses determinam o reinício do calendário a cada imperador que sobe ao trono - Akihito, coroado no ano ocidental de 1.989, abriu a era Heisei - "Conquistando a Paz").

 

Július Cesar inventou o Calendário Juliano, com a introdução do ano bissexto.

O papa Gregório XIII definiu o Calendário atual em 1.582.

O que aconteceu na manhã do dia 5 de outubro de 1.582?
NADA, jamais houve tal dia!
(no calendário cristão)

(assim como o dia 6, o 7, o 8 até o dia 14 de outubro de 1.582)

Veja mais Detalhes!

Uma das mais ambiciosas invenções da humanidade, o Calendário, baseia-se em 3 fatos astronômicos definidos:
  1. A Terra gira ao redor de seu próprio eixo - a cada dia;
  2. A Lua gira ao redor da Terra - a cada mês;
  3. A Terra gira ao redor do Sol - a cada ano;

No ano de 46 a.C. o imperador romano Caius Julius Caesar (Caio Júlio César) instituiu o ano solar de doze meses (baseado nos calendários egípcio e judeu daquela época), com cada mês tendo cerca de 30 dias. Júlio César tirou 5 dias do ano, mas criou um dia extra, a cada quatro anos, que se denominava de ano bissexto. Esse dia extra era inserido no mês de fevereiro. Esse calendário se denominou de Calendário Juliano.

O problema era que o tamanho do ano Juliano estava um pouco errado, e com o tempo a discrepância anual (que chegava a meros 11 minutos) entre o Calendário Juliano e o Calendário Solar acumulou uma diferença de dez dias.

A forte Igreja Católica do século XVI acabou extremamente incomodada com tal diferença, que causava a postergação da comemoração da Páscoa, que já não mais era comemorada no mês de março. Assim, e sob comando do matemático jesuíta Cristóvam Clavius, o papa Gregório XIII reuniu uma comissão de alto nível e acabou editando a bula papal, que criou o Calendário Gregoriano, em outubro de 1.582.

O Calendário Gregoriano manteve as principais definições do Calendário Juliano, porém fez duas alterações básicas:

  • Definiu que os anos múltiplos de 100 (1.700, 1.800, 1.900 etc) não mais seriam bissextos; exceto os anos múltiplos de 400 (1.600, 2.000, 2.400 etc);
  • O ano da promulgação do novo calendário teria dez dias a menos, para fazer o acerto da data de comemoração da Páscoa;

Em vista dessa última alteração o mundo foi dormir em 4 de outubro, mas só acordou onze dias depois, em 15 de outubro de 1.582.

O Calendário Gregoriano foi adotado em todo o mundo católico de imediato, embora vários países ocidentais, como a Inglaterra, levassem quase 200 anos (em 1.752) para adotarem esse calendário.

Ainda assim o Calendário Gregoriano tem diferença com relação ao Calendário Solar. Ele adianta cerca de 26 segundos a cada ano - o que significa uma diferença de cerca de seis dias a cada 10 milênios (10.000 anos). Entretanto essa diferença jamais atingirá tal patamar, já que os astrônomos fazem micro-acertos a cada ano, para acertar a hora mundial com a hora sideral, zerando assim essa diferença.

Indicadores

A Europa
atrasada

A Cultura

A distância percorrida pela humanidade, entre esses dois milênios, pode ser aferida buscando-se os fatos que as estatísticas indicam de forma definitiva:
Indicador Final do 1º Milênio Final do 2º Milênio
população 300.000.000 5.900.000.000
espectativa de vida 30 anos 62 anos

Mais do que esses números, na verdade muito mais se progrediu no campo da alimentação. No final do primeiro milênio as colheitas mal davam para o consumo dos grupos humanos que estavam instalados nas cidades. Mesmo já existindo várias inovações na agricultura (tal como o arado de rodas), o sistema feudal daquela época obrigava que os camponeses entregassem parte - significativa - de sua produção para os senhores da terra. A desnutrição era uma coisa do dia-a-dia para o povo.

Nas principais cidades da época alguns de seus moradores, principalmente os artesões mais especializados e os comerciantes, levavam uma vida de maior conforto que os camponeses - que não podiam ser donos da terra, mas estavam presos à ela por força da lei.

A Europa, no ano de 1.001, era um lugar bem atrasado. Uma multitude de pequenos reinos, recem saídos de um época que ficou conhecida como a Era das Trevas, que se havia instalado logo após o colapso do império romano (após a invasão de Roma pelos Visigodos, no ano de 410 d.C.). Toda a cultura que havia sido acumulada pelos gregos, e também pelos romanos, e que derivava das grandes civilizações antigas - como os egipcios - acabou perdendo-se, destruída por povos mais bárbaros, mas com a força de seu lado.

O refinamento cultural, o conhecimento tecnológico, tudo isso se perdeu, e quando tentou voltar, com a cultura árabe, foi amplamente combatida e massacrada pelos poderosos, que - com razão - temiam a erudição. Em 1.001 embora os nobres, e mesmo uma burguesia nascente, começassem a ler, os livros eram algo extremamente escassos.

 

A China:
a sociedade
mais organizada
No início do 2º milênio a China era a sociedade mais organizada, e com a tecnologia mais avançada entre os povos conhecidos (os contatos eram difíceis, e muitos povos com cultura fenomenal não eram conhecidos na Europa: os toltecas, com suas pirâmides no México atual; o reino de Gana, com suas esculturas de ouro e riquissima economia doméstica).

Lá na China havia escolas primárias em quase todas as aldeias; e quase 5% dos estudantes chegavam até a Universidade. A sua medicina, fortemente baseada no uso de ervas medicinais, e na acupuntura, era algo que estava disponível para quase todos os habitantes.

As oficinas na China conseguiam, naquela época, produzir livros impressos, instrumentos de precisão - tal como a bússula magnética, e bombas hidráulicas.

Com o início, lento por causa da falta de caminhos mais conhecidos entre a China e a Europa, das viagens entre os continentes e a disseminação dos produtos e cultura chinesas, os povos europeus começaram um caminho sem volta, onde a cada século mais cultura, conhecimento, medicina e métodos de produção se tornavam disponíveis à um número cada vez maior de pessoas.

Entretanto uma característica comum a todos os povos, europeus ou asiáticos, naquela época era a fenomenal penetração da religião em sua cultura. Pode-se dizer que sem uma consulta aos seus deuses jamais um navegante viking, ou um artesão hindú, levantariam um só dedo. A religião era tão poderosa que os hereges iam para as fogueiras, e os infiéis morriam pela cimitarra.

 

O Longo
Caminho!

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Como conseguimos chegar ao progresso dos dias do final do 2º Milênio?

Para tentar responder a essa questão fundamental, achamos que o que melhor exemplifica o caminho tomado, são os principais fatos que ocorreram neste milênio.

Juntamente com as pessoas que fizeram tais fatos, esta pequena seleção - incompleta - tenta mostrar os avanços que foram alcançados, pela força do cérebro ou das armas, até os dias de hoje...

Se você achar que falta algum fato ou pessoa - ou que algum fato ficou muito resumido, ou ficou distorcido - não fique calado: envie um e-mail para mim, Francisco Panizo Beceiro, no endereço webmaster@superdicas.com.br, detalhando sua posição sobre algum fato, ou com dados adicionais que porventura você tenha em seu poder.



(*). Isto define que o próximo milênio (o terceiro) se inicia no dia 1º de janeiro de 2.001 - e não em 1º de janeiro de 2.000;


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Última atualização em: 23 Janeiro 2000