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Francisco Panizo
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Peixe lança luz sobre origem dos vertebrados terrestres |
Virar anfíbio foi um processo mais complicado e lento do que parece, segundo estudo feito por
australianos. Eles acharam um novo espécime de peixe de 380 milhões de anos, e descobriram
que ele já possuía características dos futuros anfíbios. |
Deixar de ser peixe e virar anfíbio foi um processo mais complicado e lento do que parece,
segundo um estudo feito por pesquisadores australianos. Eles acharam um novo espécime de um
peixe fóssil de 380 milhões de anos, o Gogonasus, e descobriram que ele já possuía várias
características importantes dos futuros anfíbios, embora ainda fosse muito primitivo em outros
aspectos.
O novo fóssil, extremamente bem preservado, é apenas mais um de uma sucessão de achados
espetaculares de peixes muito próximos dos vertebrados terrestres. O último havia sido o
Tiktaalik, apelidado por seus descobridores de "peixápode" - mistura de peixe com tetrápode,
nome genérico dado aos vertebrados da terra. O bicho está sendo considerado o mais próximo
que se chegou até agora de um "elo perdido" dessa história evolutiva. Entre outras coisas, suas
barbatanas tinham "pulso", embora não dedos, e sua cabeça era presa ao resto do corpo por um
pescoço rudimentar.
Pois o novo espécime de Gogonasus mostra que as alterações presentes no Tiktaalik podem ter
surgido em peixes ainda mais primitivos que o "elo perdido". John Long e seus colegas do Museu
Victoria, em Melbourne, extraíram o bicho de uma matriz rochosa com a ajuda de um ácido e
examinaram os detalhes de seu crânio e suas barbatanas (quase patas) dianteiras.
O bicho possui, em primeiro lugar, uma abertura bastante considerável na parte de trás do
crânio, o chamado espiráculo. Nos peixes mais primitivos, essa entrada era muito estreita. Nos
mais próximos dos anfíbios, ela foi se alargando -- inicialmente como passagem de água nas
guelras, para respiração, mas mais tarde abrigando os ossinhos do ouvido médio. Além disso, o
formato dos ossos das barbatanas lembram muito a "quase-pata" do Tiktaalik.
O estudo está na edição da revista científica britânica "Nature".
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