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Francisco Panizo
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Brasileiro contradiz teorias sobre causas do mal de Parkinson |
Para o neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis, doença é causada não porque os neurônios
trabalham menos, mas porque eles perdem o sincronismo. |
Em uma orquestra, quando cada músico toca sua parte no momento certo, o resultado é uma
sinfonia harmoniosa. Se os músicos decidirem tocar todos a mesma nota ao mesmo tempo, no
entanto, ninguém vai entender nada. A mesma coisa ocorre com o cérebro, segundo um novo
estudo. Quando cada neurônio faz seu papel, coordenadamente, tudo ocorre com perfeição. Mas,
se um desequilíbrio os coloca fazendo tudo ao mesmo tempo, o cérebro perde o controle e surge
o mal de Parkinson.
A analogia é do neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis, da Universidade Duke, dos Estados
Unidos, autor da pesquisa que contradiz as atuais teorias que explicam o surgimento da doença.
Segundo elas, o Parkinson apareceria quando células nervosas da área do cérebro responsável
pelos movimentos voluntários passam a trabalhar menos, porém ainda de forma ordenada.
A equipe de Nicolelis chegou à conclusão oposta ao medir a atividade elétrica cerebral em
camundongos geneticamente modificados para apresentarem os sintomas da doença.
Não foi encontrada qualquer mudança no nível de atividade dos neurônios -- eles continuavam
trabalhando tanto quanto antes, só que todos ao mesmo tempo, sem sincronia. Segundo eles, os
sintomas característicos da doença, como tremedeira, lentidão, rigidez muscular e falta de
equilíbrio, seriam resultado da perda da capacidade do cérebro de controlar os movimentos,
devido a uma sobrecarga de informações.
O grupo também descobriu que se os pacientes de Parkinson sofrem porque seus neurônios
decidem agir todos ao mesmo tempo, os de outra doença neurológica, a esquizofrenia, sofrem
por um problema oposto: seus neurônios perdem de vez qualquer vestígio de harmonia. Cada um
age quando bem entende e o resultado são os comportamentos estranhos dos esquizofrênicos.
Os pesquisadores acreditam que o mesmo que foi observado nos camundongos pode ocorrer nos
cérebros de seres humanos. Se isso se comprovar, novos tratamentos para as duas desordens
podem surgir.
O estudo está publicado na revista “Neuron”.
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