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Psiquiatras advertem que síndromes pós-parto vêm sendo diagnosticadas erroneamente. Isso significa que muitas das mulheres tomam antidepressivos sem necessidade.
A chegada de um filho mexe com a cabeça de qualquer mulher. Para muitas delas, porém, a fase 
mais delicada da vida é também marcada por palpites e diagnósticos equivocados. A chamada 
depressão pós-parto, que acomete 15% das novas mães, não pode mais ser considerada uma 
síndrome única, com sintomas idênticos e tratamentos que valem para todas as pacientes. Esse é 
o alerta que a International Association for Women's Mental Health quer disseminar pelo mundo. 
Baseada em estudos clínicos, a entidade dividiu as aflições da maternidade em quatro categorias: 
psicoses, depressão, dificuldades da relação mãe-bebê e transtornos de ansiedade e fobias.

O psiquiatra Joel Rennó Junior, do Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo (USP), é 
um dos membros do grupo e foi um dos primeiros a observar os diferentes fatores de risco, ao 
lado do psiquiatra Ian Brockington, da Universidade de Birmingham, na Inglaterra. ''Nem todas as 
pacientes com hostilidade, tristeza ou fobias em relação ao bebê apresentam um quadro de 
depressão'', explica. Isso significa que muitas das mulheres tomam antidepressivos sem 
necessidade. ''A maioria dos transtornos pode ser revertida com psicoterapia ou técnicas de 
relaxamento'', diz. Além de reduzir os gastos com remédios, a adoção da nova regra poderá 
evitar os efeitos colaterais dos medicamentos e melhorar o relacionamento afetivo entre mãe e 
filho.

Gestação e pós-parto são momentos especiais, mas podem trazer sofrimento como o vivido pela 
escriturária Maria Aparecida Carvalho Conde, de 38 anos. Quando nasceu a filha Giovana, hoje 
com 4 anos, ela não sentiu o amor ''instantâneo'' que a família, os amigos e até mesmo os 
médicos apregoavam. ''Não tinha o menor afeto pela menina e agüentei a culpa calada, com 
medo de que as pessoas se revoltassem contra mim'', conta.

Maria Aparecida teve uma gravidez saudável, mas a rejeição pela filha surgiu ainda no hospital. 
Era a depressão pós-parto clássica. Em casa, gritava com o bebê e depois sentia 
remorso. ''Desejava que ela voltasse para minha barriga porque lá estava tudo bem'', diz. Era 
uma tristeza profunda, aparentemente sem motivo. Com ajuda psiquiátrica e antidepressivos, 
que reequilibraram a química do cérebro, começou a se relacionar com a filha. ''Foi uma grande 
emoção poder amar a minha menina.''


AFLIÇÕES DA MATERNIDADE 
Os diferentes distúrbios que podem surgir depois do parto 

» DEPRESSÃO 
  A mãe não tem ânimo ou forças para cuidar da criança e amamentá-la.
  Tratamento: antidepressivos nos quadros moderados ou graves. Em casos simples,
  psicoterapia resolve. 

» TRANSTORNO DO RELACIONAMENTO 
   Aversão e raiva impedem o relacionamento da mãe com o bebê.
   Tratamento: psicoterapia em grupo ou individual.

» STRESS, ANSIEDADE E FOBIAS 
   Podem começar antes do parto e provocam medo da dor e da morte.
   Tratamento: psicoterapia em grupo ou individual. 

» PSICOSES 
   Podem ser provocadas por problemas orgânicos ou stress. Produzem agitação e
   pensamentos incoerentes
   Tratamento: na maioria dos casos, consultas psiquiátricas. Em situações graves, é
   necessária internação


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